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Liturgia Diária

24 Setembro 2026

Evangelho e palavra do dia - o pensamento do dia
  • Evangelho e palavra do dia 24 setembro 2026

    Leitura do Livro do Eclesiastes
    1,2-11

    "Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes,
    vaidade das vaidades!
    Tudo é vaidade".

    Que proveito tira o homem de todo o trabalho
    com o qual se afadiga debaixo do sol?

    Uma geração passa, outra lhe sucede,

    enquanto a terra permanece sempre a mesma.

    O sol se levanta, o sol se deita,
    apressando-se para voltar ao seu lugar,
    donde novamente torna a levantar-se.

    Dirigindo-se para o sul e voltando para o norte,
    ora para cá, ora para lá,
    vai soprando o vento,
    para retomar novamente o seu curso.

    Todos os rios correm para o mar,
    e contudo o mar não transborda;
    voltam ao lugar de onde saíram
    para tornarem a correr.

    Tudo é penoso,
    difícil para o homem explicar.
    A vista não se cansa de ver,
    nem o ouvido se farta de ouvir.

    O que foi, será;
    o que aconteceu, acontecerá:

    não há nada de novo debaixo do sol.
    Uma coisa da qual se diz: 

    "Eis aqui algo de novo",
    também esta já existiu 

    nos séculos que nos precederam.

    Não há memória do que aconteceu no passado,
    nem também haverá lembrança do que acontecer,
    entre aqueles que viverão depois.

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas
    9,7-9

    Naquele tempo,

    o tetrarca Herodes ouviu falar
    de tudo o que estava acontecendo,
    e ficou perplexo, porque alguns diziam
    que João Batista tinha ressuscitado dos mortos.

    Outros diziam que Elias tinha aparecido;

    outros ainda, 

    que um dos antigos profetas tinha ressuscitado.

    Então Herodes disse: 

    "Eu mandei degolar João.
    Quem é esse homem, 

    sobre quem ouço falar essas coisas?"
    E procurava ver Jesus.

    Jesus se conhece no dia a dia cotidiano. (...) Sim, deve-se conhecer Jesus no Catecismo. Mas não é suficiente conhecê-lo com a mente: é um passo. Porém, a Jesus é necessário conhecê-lo no diálogo com Ele, falando com Ele, na oração, de joelhos. Se você não reza, se você não fala com Jesus, você não o conhece. Você sabe coisas sobre Jesus, mas não tem aquele conhecimento que o coração lhe dá na oração. Conhecer Jesus com a mente, no estudo do Catecismo; conhecer Jesus com o coração, na oração, no diálogo com Ele. Isso nos ajuda bastante, mas não é suficiente... Há um terceiro caminho para conhecer Jesus: é o seguimento. Ir com Ele, caminhar com Ele. (...) Não se pode conhecer Jesus sem se envolver com Ele, sem apostar a vida por Ele. Quando tanta gente — inclusive nós — se faz esta pergunta: ‘Mas quem é este?’, a Palavra de Deus nos responde: ‘Tu queres conhecer quem é este? Leia o que a Igreja te diz sobre Ele, fala com Ele na oração e caminha na estrada dele com Ele. Assim, tu conhecerás quem é este homem’. Este é o caminho!" (Papa Francisco, Homilia na Capela da Casa Santa Marta, 26 de setembro de 2013)

  • Evangelho e palavra do dia 23 setembro 2026

    Leitura do Livro dos Provérbios
    30,5-9

    A Palavra de Deus é comprovada.
    Ele é um escudo para os que nele se abrigam.

    Não acrescentes nada às suas palavras,
    para que ele não te repreenda 

    e passes por mentiroso!

    Duas coisas eu te pedi;
    não mas recuses, antes de eu morrer:

    afasta de mim a falsidade e a mentira,
    não me dês pobreza nem riqueza,
    mas concede-me o pão que me é necessário.

    Não aconteça que, saciado, eu te renegue
    e diga: "Quem é o Senhor?"
    Ou que, empobrecido, eu me ponha a roubar
    e profane o nome de meu Deus.

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas
    9,1-6

    Naquele tempo,

    Jesus convocou os Doze,
    deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios
    e para curar doenças,

    enviou-os a proclamar o Reino de Deus
    e a curar os enfermos

    E disse-lhes: 

    "Não leveis nada para o caminho:
    nem cajado, nem sacola, nem pão,
    nem dinheiro, nem mesmo duas túnicas.

    Em qualquer casa onde entrardes, ficai aí;
    e daí é que partireis de novo.

    Todos aqueles que não vos acolherem,
    ao sairdes daquela cidade,
    sacudi a poeira dos vossos pés, 

    como protesto contra eles".

    Os discípulos partiram e percorriam os povoados,
    anunciando a Boa-Nova

    e fazendo curas em todos os lugares.

    Não há ir sem estar: antes de enviar os discípulos em missão, Cristo - diz o Evangelho – “reúne-os” (cf. Mt 10, 1). O anúncio nasce do encontro com o Senhor; toda a atividade cristã, especialmente a missão, começa a partir dali. Não se aprende numa academia: não! Começa pelo encontro com o Senhor. Com efeito, testemunhá-lo significa irradiá-lo; mas, se não recebermos a sua luz, extinguir-nos-emos; se não o frequentarmos, anunciar-nos-emos a nós próprios e não a Ele – anuncio-me a mim mesmo, não a Ele - e tudo será vão. Portanto, só a pessoa que andar com Ele poderá anunciar o Evangelho de Jesus. Quem não andar com Ele não pode anunciar o Evangelho. Anunciará ideias, mas não o Evangelho. Mas de igual modo não há estar sem ir. Na realidade, seguir Cristo não é algo intimista: sem anúncio, sem serviço, sem missão, a relação com Jesus não cresce. (…) Em síntese: temos um dom, por isso somos chamados a fazer-nos dom; recebemos um dom e a nossa vocação consiste em tornar-nos dom para os outros; em nós há a alegria de ser filhos de Deus, e ela deve ser partilhada com os irmãos e irmãs que ainda não o conhecem! Esta é a razão do anúncio. Ir e anunciar a alegria daquilo que recebemos. (…) Eis como se anuncia: mostrando Jesus, mais do que falando de Jesus. E como mostramos Jesus? Com o nosso testemunho. (Papa Francisco, Audiência Geral de 15 de fevereiro de 2023)

  • Evangelho e palavra do dia 22 setembro 2026

    Leitura do Livro dos Provérbios
    21,1-6.10-13

    O coração do rei nas mãos do Senhor 

    é como água corrente;
    ele o dirige para onde quer.

    O homem pensa que o seu caminho é sempre reto,
    mas é o Senhor quem sonda os corações.

    Praticar a justiça e o direito
    é mais agradável ao Senhor do que os sacrifícios.

    Olhar arrogante e coração orgulhoso,
    a lâmpada dos malvados não é senão o pecado.

    Os projetos do homem aplicado produzem abundância,
    mas todos os apressados só alcançam indigência.

    Tesouros adquiridos com língua mentirosa
    são ilusão passageira dos que procuram a morte.

    A alma do malvado deseja o mal,
    ele olha sem piedade para o seu próximo.

    Quando se castiga o zombador, aprende o imbecil,
    e quando o sábio é instruído, ele adquire mais saber.

    O justo observa a casa do ímpio
    e leva os ímpios à desgraça.

    Quem tapa os ouvidos ao clamor do pobre,
    também há de clamar, mas não será ouvido.

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas
    8,19-21

    Naquele tempo,

    a mãe e os irmãos de Jesus aproximaram-se,
    mas não podiam chegar perto dele, 

    por causa da multidão.

    Então anunciaram a Jesus:
    "Tua mãe e teus irmãos estão aí fora 

    e querem te ver".

    Jesus respondeu:
    "Minha mãe e meus irmãos são aqueles
    que ouvem a Palavra de Deus, e a põem em prática".

    Jesus continuava a falar às pessoas, amava as pessoas e amava a multidão, a tal ponto que diz: ‘estes que me seguem, esta multidão imensa, são minha mãe e meus irmãos, são estes’. E explica: ‘aqueles que escutam a Palavra de Deus e a põem em prática’. Estas são as duas condições para seguir a Jesus: escutar a Palavra de Deus e pô-la em prática. Esta é a vida cristã, nada mais. Simples, simples.(...)  Toda vez que fazemos isso — abrimos o Evangelho, lemos um trecho e nos perguntamos: ‘Com isso Deus fala comigo, diz algo para mim? E se diz algo, o que me diz?’ —, isso é escutar a Palavra de Deus, escutá-la com os ouvidos e escutá-la com o coração. Abrir o coração à Palavra de Deus. Os inimigos de Jesus escutavam a Palavra de Jesus, mas estavam perto dele para tentar achar um erro, para fazê-lo escorregar e perder a autoridade. Mas nunca se perguntavam: ‘O que Deus diz para mim nesta Palavra?’ E Deus não fala só a todos: sim, fala a todos, mas fala a cada um de nós. O Evangelho foi escrito para cada um de nós. (…) O Senhor sempre semeia a sua Palavra; pede apenas um coração aberto para escutá-la e boa vontade para pô-la em prática. Por isso, então, que a oração de hoje seja a do Salmo: ‘Guia-me, Senhor, pelo caminho dos teus mandamentos’, ou seja, pelo caminho da tua Palavra, e para que eu aprenda, sob a tua guia, a colocá-la em prática. (Papa Francisco, Homilia na Capela da Casa Santa Marta, 23 de setembro de 2014)

     

     

  • Evangelho e palavra do dia 21 setembro 2026

    Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios
    4,1-7.11-13

    Irmãos,

    eu, prisioneiro no Senhor, 

    vos exorto a caminhardes 

    de acordo com a vocação que recebestes:

    Com toda a humildade e mansidão,

    suportai-vos uns aos outros com paciência, no amor.

    Aplicai-vos a guardar a unidade do espírito
    pelo vínculo da paz.

    Há um só Corpo e um só Espírito,
    como também é uma só a esperança 

    à qual fostes chamados.

    Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo,

    um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos,

    age por meio de todos e permanece em todos.

    Cada um de nós recebeu a graça
    na medida em que Cristo lha deu.

    E foi ele quem instituiu alguns como apóstolos,
    outros como profetas,
    outros ainda como evangelistas,
    outros, enfim, como pastores e mestres.

    Assim, ele capacitou os santos para o ministério,
    para edificar o corpo de Cristo,

    até que cheguemos todos juntos à unidade da fé
    e do conhecimento do Filho de Deus,
    ao estado do homem perfeito
    e à estatura de Cristo em sua plenitude.

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus
    9,9-13

    Naquele tempo,

    Jesus viu um homem chamado Mateus,
    sentado na coletoria de impostos,
    e disse-lhe: 

    "Segue-me!"
    Ele se levantou e seguiu a Jesus.

    Enquanto Jesus estava à mesa, em casa de Mateus,
    vieram muitos cobradores de impostos e pecadores
    e sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos.

    Alguns fariseus viram isso e perguntaram aos discípulos: 

    "Por que vosso mestre 

    come com os cobradores de impostos e pecadores?"

    Jesus ouviu a pergunta e respondeu:
    "Aqueles que têm saúde não precisam de médico,
    mas sim os doentes.

    Aprendei, pois, o que significa:
    'Quero misericórdia e não sacrifício'.
    De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores".

    “Eu quero a misericórdia e não os sacrifícios, o conhecimento de Deus mais que os holocaustos" (Os 6, 6). Trata-se de uma palavra-chave, uma daquelas que se introduzem no coração da Sagrada Escritura. O contexto, no qual Jesus a utiliza, é a vocação de Mateus, cuja profissão é "publicano", ou seja cobrador de impostos da parte das autoridades imperiais romanas: por isso mesmo, ele era considerado pelos judeus um pecador público. Chamando-o precisamente quando estava sentado no banco dos impostos, esta cena foi bem ilustrada através de um celebérrimo quadro de Caravaggio, Jesus apresentou-se na sua casa com os discípulos e pôs-se à mesa com outros publicanos. Aos fariseus escandalizados responde: "Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. (...) Porque não vim chamar os justos, mas os pecadores" (Mt 9, 12-13). O evangelista Mateus, sempre atento ao elo entre o Antigo e o Novo Testamento, a este ponto põe na boca de Jesus a profecia de Oseias: "Ide aprender o que significa: ‘Prefiro a misericórdia ao sacrifício’". Esta palavra de Deus chegou-nos, através dos Evangelhos, como uma das sínteses de toda a mensagem cristã: a verdadeira religião consiste no amor a Deus e ao próximo. Isto é o que dá valor ao culto e à prática dos preceitos. (Papa Bento XVI, Angelus de 8 de junho de 2008)

  • Evangelho e palavra do dia 20 setembro 2026

    Primeira Leitura

    Leitura do Livro do Profeta Isaías

    55,6-9

    Buscai o Senhor, enquanto pode ser achado;
    invocai-o, enquanto ele está perto.

    Abandone o ímpio seu caminho,
    e o homem injusto, suas maquinações;
    volte para o Senhor, que terá piedade dele,
    volte para nosso Deus, que é generoso no perdão.

    Meus pensamentos não são como os vossos pensamentos,
    e vossos caminhos não são como os meus caminhos, 

    diz o Senhor.

    Estão meus caminhos tão acima dos vossos caminhos
    e meus pensamentos acima dos vossos pensamentos,
    quanto está o céu acima da terra.

     

    Segunda Leitura 

    Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses

    1,20c-24.27a

    Irmãos:

    Cristo vai ser glorificado no meu corpo,
    seja pela minha vida, seja pela minha morte.

    Pois, para mim, o viver é Cristo
    e o morrer é lucro.

    Entretanto, se o viver na carne significa
    que meu trabalho será frutuoso,
    neste caso, não sei o que escolher.

    Sinto-me atraído para os dois lados:
    tenho o desejo de partir, para estar com Cristo
    — o que para mim seria de longe o melhor —

    mas para vós é mais necessário
    que eu continue minha vida neste mundo.

    Só uma coisa importa:
    vivei à altura do Evangelho de Cristo.

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus

    20,1-16a

    Naquele tempo,
    Jesus contou esta parábola a seus discípulos:

    "O Reino dos Céus é como a história do patrão
    que saiu de madrugada
    para contratar trabalhadores para a sua vinha.

    Combinou com os trabalhadores 

    uma moeda de prata por dia, e os mandou para a vinha.

    Às nove horas da manhã, o patrão saiu de novo,
    viu outros que estavam na praça, desocupados,

    e lhes disse: 

    'Ide também vós para a minha vinha!
    E eu vos pagarei o que for justo'.

    E eles foram. 

    O patrão saiu de novo ao meio-dia
    e às três horas da tarde, e fez a mesma coisa.

    Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde,
    encontrou outros que estavam na praça, e lhes disse:
    'Por que estais aí o dia inteiro desocupados?'

    Eles responderam:

    'Porque ninguém nos contratou'.
    O patrão lhes disse:
    'Ide vós também para a minha vinha'.

    Quando chegou a tarde, o patrão disse ao administrador:
    'Chama os trabalhadores e paga-lhes uma diária a todos,
    começando pelos últimos até os primeiros!'

    Vieram os que tinham sido contratados às cinco da tarde
    e cada um recebeu uma moeda de prata.

    Em seguida vieram os que foram contratados primeiro,
    e pensavam que iam receber mais.
    Porém, cada um deles também recebeu uma moeda de prata.

    Ao receberem o pagamento,
    começaram a resmungar contra o patrão:

    'Estes últimos trabalharam uma hora só,
    e tu os igualaste a nós,
    que suportamos o cansaço e o calor o dia inteiro'.

    Então o patrão disse a um deles:
    'Amigo, eu não fui injusto contigo.
    Não combinamos uma moeda de prata?

    Toma o que é teu e volta para casa!
    Eu quero dar a este que foi contratado por último
    o mesmo que dei a ti.

    Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero
    com aquilo que me pertence?
    Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?'

    Assim, os últimos serão os primeiros,
    e os primeiros serão os últimos".
    Palavra da Salvação.

    Os trabalhadores que permaneceram na praça do mercado provavelmente tinham perdido toda a esperança. Aquele dia tinha sido em vão. E, no entanto, alguém ainda acreditou neles. Que sentido tem chamar operários só para a última hora do dia de trabalho? Que sentido tem ir trabalhar apenas uma hora? Contudo, até quando nos parece que podemos fazer pouco na vida, vale sempre a pena. Há sempre a possibilidade de encontrar um sentido, pois Deus ama a nossa vida! Eis que a originalidade deste dono se vê também no fim do dia, na hora do pagamento. (...) Para o dono da vinha, isto é, para Deus, é justo que cada um tenha o necessário para viver. Ele chamou pessoalmente os trabalhadores, conhece a sua dignidade e quer pagar-lhes com base nela. E dá a todos um denário. A história diz que os trabalhadores da primeira hora ficam desiludidos: não conseguem ver a beleza do gesto do dono, que não foi injusto, mas simplesmente generoso, não considerou apenas o mérito, mas também a necessidade. Deus quer dar a todos o seu Reino, ou seja, a vida plena, eterna e feliz. E é o que Jesus faz em relação a nós: não faz classificações, dá tudo de Si mesmo a quantos lhe abrem o coração! (Papa Leão XIV, Audiência geral de 4 de junho de 2025)

  • Evangelho e palavra do dia 19 setembro 2026

    Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios

    15,35-37.42-49

    Irmãos,

    alguém perguntará?
    Como ressuscitam os mortos?

    Insensato!
    O que semeias, não nasce sem antes morrer.

    E, quando semeias,
    não semeias o corpo da planta, que há de nascer,
    mas o simples grão, como o de trigo,
    ou de alguma outra planta.

    Pois assim será também a ressurreição dos mortos.
    Semeia-se em corrupção 

    e ressuscita-se em incorrupção.

    Semeia-se em ignomínia, 

    e ressuscita-se em glória.
    Semeia-se em fraqueza, 

    e ressuscita-se em vigor.

    Semeia-se um corpo animal,
    e ressuscita-se um corpo espiritual.
    Se há um corpo animal, 

    há também um espiritual.

    Por isso está escrito:
    o primeiro homem, Adão, "foi um ser vivo".
    O segundo Adão é um espírito vivificante.

    Veio primeiro não o homem espiritual,
    mas o homem natural;
    depois é que veio o homem espiritual.

    O primeiro homem, 

    tirado da terra, é terrestre;
    o segundo homem vem do céu.

    Como foi o homem terrestre,

    assim também são as pessoas terrestres;
    e como é o homem celeste,
    assim também vão ser as pessoas celestes.

    E como já refletimos a imagem do homem terrestre,
    assim também refletiremos a imagem do homem celeste.
    Palavra do Senhor.

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas

    8,4-15

    Naquele tempo,

    reuniu-se uma grande multidão,
    e de todas as cidades iam ter com Jesus.
    Então ele contou esta parábola:

    "O semeador saiu para semear a sua semente.
    Enquanto semeava, 

    uma parte caiu à beira do caminho;
    foi pisada e os pássaros do céu a comeram.

    Outra parte caiu sobre pedras;
    brotou e secou, porque não havia umidade.

    Outra parte caiu no meio de espinhos;
    os espinhos cresceram juntos, e a sufocaram.

    Outra parte caiu em terra boa;
    brotou e deu fruto, cem por um".
    Dizendo isso, Jesus exclamou:
    "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça".

    Os discípulos lhe perguntaram
    o significado dessa parábola.

    Jesus respondeu:
    "A vós foi dado conhecer os mistérios do Reino de Deus.
    Mas aos outros, só por meio de parábolas,
    para que olhando não vejam,
    e ouvindo não compreendam.

    A parábola quer dizer o seguinte:
    A semente é a Palavra de Deus.

    Os que estão à beira do caminho

    são aqueles que ouviram,
    mas, depois, vem o diabo
    e tira a Palavra do coração deles,
    para que não acreditem e não se salvem.

    Os que estão sobre a pedra
    são aqueles que, ouvindo, 

    acolhem a Palavra com alegria.
    Mas eles não têm raiz: 

    por um momento acreditam;
    mas na hora da tentação voltam atrás.

    Aquilo que caiu entre os espinhos
    são os que ouvem, mas, com o passar do tempo,
    são sufocados pelas preocupações,
    pela riqueza e pelos prazeres da vida,
    e não chegam a amadurecer.

    E o que caiu em terra boa

    são aqueles que, 

    ouvindo com um coração bom e generoso,
    conservam a Palavra, 

    e dão fruto na perseverança".

    A do semeador é um pouco a “mãe” de todas as parábolas, porque fala da escura da Palavra. Lembra-nos que ela é uma semente fecunda e eficaz; e Deus espalha-a por toda a parte com generosidade, sem se preocupar com o desperdício. Assim é o coração de Deus! Cada um de nós é um solo onde cai a semente da Palavra, sem excluir ninguém! A Palavra é dada a cada um de nós. Podemos perguntar-nos: que tipo de terreno sou eu? Pareço-me com o caminho, com o solo pedregoso, com os arbustos? Mas, se quisermos, com a graça de Deus, podemos tornar-nos terreno fértil, lavrado e cultivado com cuidado, para que a semente da Palavra amadureça. Já está presente nos nosso coração, mas fazê-la frutificar depende de nós, depende do acolhimento que reservarmos a esta semente. Muitas vezes somos distraídos por demasiados interesses, por inúmeras solicitações, e é difícil distinguir entre tantas vozes e tantas palavras, a do Senhor, a única que nos torna livres. Por isso, é importante habituar-nos a ouvir a Palavra de Deus, a lê-la. E volto, uma vez mais, a este conselho: tende sempre convosco um pequeno Evangelho, uma edição de bolso do Evangelho, no bolso, na bolsa... E assim, lede um pequeno trecho todos os dias, para vos habituardes a ler a Palavra de Deus e a compreender bem que semente Deus vos oferece e a pensar com que solo a recebeis. (Papa Francisco, Angelus de 12 de julho de 2020)

  • Evangelho e palavra do dia 18 setembro 2026

    Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios

    15,12-20

    Irmãos,

    se se prega que Cristo ressuscitou dos mortos,
    como podem alguns dizer entre vós
    que não há ressurreição dos mortos?

    Se não há ressurreição dos mortos,

    então Cristo não ressuscitou.

    E se Cristo não ressuscitou,
    a nossa pregação é vã
    e a vossa fé é vã também.

    Nesse caso, nós seríamos

    testemunhas mentirosas de Deus,
    porque teríamos atestado - contra Deus -
    que ele ressuscitou Cristo,
    quando, de fato, ele não o teria ressuscitado
    - se é verdade que os mortos não ressuscitam.

    Pois, se os mortos não ressuscitam,
    então Cristo também não ressuscitou.

    E se Cristo não ressuscitou,
    a vossa fé não tem nenhum valor
    e ainda estais nos vossos pecados.

    Então, também os que morreram em Cristo pereceram.

    Se é para esta vida
    que pusemos a nossa esperança em Cristo,
    nós somos - de todos os homens -
    os mais dignos de compaixão.

    Mas, na realidade, Cristo ressuscitou dos mortos
    como primícias dos que morreram.

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas

    8,1-3

    Naquele tempo,

    Jesus andava por cidades e povoados,
    pregando e anunciando a Boa-Nova do Reino de Deus.
    Os doze iam com ele;

    e também algumas mulheres
    que haviam sido curadas de maus espíritos e doenças:
    Maria, chamada Madalena, 

    da qual tinham saído sete demônios;

    Joana, mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes;

    Susana, e várias outras mulheres
    que ajudavam a Jesus e aos discípulos
    com os bens que possuíam.

    Jesus (...) escolheu entre os seus discípulos doze homens como Pais do novo Israel, escolheu-os para "estarem com Ele e para os enviar a pregar". Este fato é evidente mas, além dos Doze, colunas da Igreja, pais do novo Povo de Deus, são escolhidas no número dos discípulos também muitas mulheres. (...) Em primeiro lugar, o pensamento dirige-se naturalmente à Virgem Maria que, com a sua fé e a sua obra materna, colaborou de modo único para a nossa Redenção (...) Há depois várias mulheres, que a diversos títulos gravitam em volta da figura de Jesus, com funções de responsabilidade. São exemplo eloquente disto as mulheres que seguiam Jesus para o assistir com os seus bens e das quais Lucas nos transmite alguns nomes: Maria de Magdala, Joana, Susana e "muitas outras" (cf. Lc 8, 2-3) (...) Também no âmbito da Igreja primitiva a presença feminina não é de modo algum secundária. (...) A história do cristianismo teria tido um desenvolvimento muito diferente, se não houvesse a generosa contribuição de muitas mulheres. Por isso (...) “a Igreja rende graças por todas e cada uma das mulheres”. (Papa Bento XVI, Audiência Geral de 14 de fevereiro de 2007)

  • Evangelho e palavra do dia 17 setembro 2026

    Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios

    15,1-11

    Irmãos, quero lembrar-vos
    o evangelho que vos preguei e que recebestes,
    e no qual estais firmes.

    Por ele sois salvos,
    se o estais guardando
    tal qual ele vos foi pregado por mim.
    De outro modo, teríeis abraçado a fé em vão.

    Com efeito, transmiti-vos, em primeiro lugar,
    aquilo que eu mesmo tinha recebido, a saber:
    que Cristo morreu por nossos pecados,
    segundo as Escrituras;

    que foi sepultado;
    que, ao terceiro dia, ressuscitou,
    segundo as Escrituras;

    e que apareceu a Cefas e, depois, aos Doze.

    Mais tarde, apareceu a mais de quinhentos irmãos, de uma vez.
    Destes, a maioria ainda vive e alguns já morreram.

    Depois, apareceu a Tiago
    e, depois, apareceu aos apóstolos todos juntos.

    Por último, apareceu também a mim, como a um abortivo.

    Na verdade, eu sou o menor dos apóstolos,

    nem mereço o nome de apóstolo,
    porque persegui a Igreja de Deus.

    É pela graça de Deus que eu sou o que sou.

    Sua graça para comigo não foi estéril:
    a prova é que tenho trabalhado mais do que os outros apóstolos
    – não propriamente eu, mas a graça de Deus comigo.

    É isso, em resumo, o que eu e eles temos pregado

    e é isso o que crestes.

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas

    7,36-50

    Naquele tempo,

    um fariseu convidou Jesus 

    para uma refeição em sua casa.
    Jesus entrou na casa do fariseu e pôs-se à mesa.

    Certa mulher, conhecida na cidade como pecadora,

    soube que Jesus estava à mesa, na casa do fariseu.
    Ela trouxe um frasco de alabastro com perfume,

    e, ficando por detrás, chorava aos pés de Jesus;
    com as lágrimas começou a banhar-lhe os pés,
    enxugava-os com os cabelos,
    cobria-os de beijos e os ungia com o perfume.

    Vendo isso, o fariseu que o havia convidado
    ficou pensando:
    "Se este homem fosse um profeta,
    saberia que tipo de mulher está tocando nele,
    pois é uma pecadora".

    Jesus disse então ao fariseu:
    "Simão, tenho uma coisa para te dizer".
    Simão respondeu: 

    "Fala, mestre!"

    "Certo credor tinha dois devedores;
    um lhe devia quinhentas moedas de prata, 

    o outro cinquenta.

    Como não tivessem com que pagar, 

    o homem perdoou os dois.
    Qual deles o amará mais?"

    Simão respondeu:
    "Acho que é aquele ao qual perdoou mais".
    Jesus lhe disse:
    "Tu julgaste corretamente".

    Então Jesus virou-se para a mulher 

    e disse a Simão:
    "Estás vendo esta mulher?
    Quando entrei em tua casa,
    tu não me ofereceste água para lavar os pés;
    ela, porém, banhou meus pés com lágrimas
    e enxugou-os com os cabelos.

    Tu não me deste o beijo de saudação;
    ela, porém, desde que entrei, 

    não parou de beijar meus pés.

    Tu não derramaste óleo na minha cabeça;
    ela, porém, ungiu meus pés com perfume.

    Por esta razão, eu te declaro:
    os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados
    porque ela mostrou muito amor.
    Aquele a quem se perdoa pouco mostra pouco amor".

    E Jesus disse à mulher:
    "Teus pecados estão perdoados".

    Então, os convidados começaram a pensar:
    "Quem é este que até perdoa pecados?"

    Mas Jesus disse à mulher:
    "Tua fé te salvou. Vai em paz!"

    Jesus costumava aceitar os convites para comer à mesa não apenas por parte dos 'publicanos', mas também dos 'fariseus', que eram os seus mais ardorosos adversários. Lemos isso, por exemplo, em Lucas: 'Um dos fariseus convidou-o a comer com ele. Jesus entrou na casa do fariseu e pôs-se à mesa' (Lc 7, 36). (...) Durante essa refeição ocorre um fato que lança ainda uma nova luz sobre o comportamento de Jesus em relação à pobre humanidade, composta de tantos “pecadores” que os supostos “justos” desprezam e condenam. Eis que uma mulher conhecida na cidade como pecadora estava entre os presentes e, chorando, beijava os pés de Jesus e os ungia com óleo perfumado. Nasce então um diálogo entre Jesus e o dono da casa, no decorrer do qual Jesus estabelece uma ligação essencial entre a remissão dos pecados e o amor inspirado pela fé: “Seus numerosos pecados lhe estão perdoados, porque ela demonstrou muito amor . . .”. Depois disse a ela: “Teus pecados te são perdoados . . . Tua fé te salvou; vai em paz!”. (...) Jesus atuava no espírito de um grande amor pelo homem, com base na profunda solidariedade que nutria em si por quem havia sido criado por Deus à sua imagem e semelhança. Em que consiste essa solidariedade? Ela é a manifestação do amor que tem a sua fonte no próprio Deus. O Filho de Deus veio ao mundo para revelar esse amor. (Papa João Paulo II, Audiência Geral de 10 de fevereiro de 1988)

  • Evangelho e palavra do dia 16 setembro 2026

    Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios

    12,31-13,13

    Irmãos,

    Aspirai aos dons mais elevados.

    Eu vou ainda mostrar-vos 

    um caminho incomparavelmente superior.

    Se eu falasse todas as línguas,
    as dos homens e as dos anjos,
    mas não tivesse caridade,
    eu seria como um bronze que soa
    ou um címbalo que retine.

    Se eu tivesse o dom da profecia,
    se conhecesse todos os mistérios e toda a ciência,
    se tivesse toda a fé, 

    a ponto de transportar montanhas,
    mas se não tivesse caridade,
    eu não seria nada.

    Se eu gastasse todos os meus bens
    para sustento dos pobres,
    se entregasse o meu corpo às chamas,
    mas não tivesse caridade,
    isso de nada me serviria.

    A caridade é paciente, é benigna;
    não é invejosa, não é vaidosa, não se ensoberbece;

    não faz nada de inconveniente, não é interesseira,
    não se encoleriza, não guarda rancor;

    não se alegra com a iniquidade,

    mas regozija-se com a verdade.

    Suporta tudo, crê tudo,
    espera tudo, desculpa tudo.

    A caridade não acabará nunca.
    As profecias desaparecerão,
    as línguas cessarão,
    a ciência desaparecerá.

    Com efeito, o nosso conhecimento é limitado

    e a nossa profecia é imperfeita.

    Mas, quando vier o que é perfeito,
    desaparecerá o que é imperfeito.

    Quando eu era criança, falava como criança,
    pensava como criança, raciocinava como criança.
    Quando me tornei adulto,
    rejeitei o que era próprio de criança.

    Agora nós vemos num espelho, confusamente,
    mas, então, veremos face a face.
    Agora, conheço apenas de modo imperfeito,
    mas, então, conhecerei como sou conhecido.

    Atualmente permanecem estas três coisas:
    fé, esperança, caridade.
    Mas a maior delas é a caridade.

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas

    7,31-35

    Naquele tempo, disse Jesus:

    "Com quem hei de comparar os homens desta geração?
    Com quem eles se parecem?

    São como crianças que se sentam nas praças,
    e se dirigem aos colegas, dizendo:
    'Tocamos flauta para vós e não dançastes;
    fizemos lamentações e não chorastes!'

    Pois veio João Batista, 

    que não comia pão nem bebia vinho,
    e vós dissestes:
    'Ele está com um demônio!'

    Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e vós dizeis:
    'Ele é um comilão e beberrão,
    amigo dos publicanos e dos pecadores!'

    Mas a sabedoria foi justificada
    por todos os seus filhos".

    É precisamente a classe dirigente que fecha as portas ao modo como Deus nos quer salvar. Neste sentido compreendem-se os diálogos fortes de Jesus com a classe dirigente do seu tempo: discutem, o colocam à prova, armam ciladas para ver se ele cai, porque é a resistência à salvação. Jesus lhes diz: ‘Não entendo vocês! São como crianças sentadas numa praça, a se desafiarem mutuamente: nós vos tocamos flauta, mas não dançastes; nós entoamos lamentações, mas não chorastes. O que quereis?’; ‘Queremos a nossa: queremos a salvação, mas à nossa maneira!’. É sempre esse fechamento ao modo de Deus. (...) Eles não acreditam na misericórdia e no perdão: acreditam nos sacrifícios. ‘Misericórdia quero, não sacrifícios’. Acreditam em tudo organizado, bem arrumado, tudo claro. Este é o drama da resistência à salvação. Nós também, cada um de nós tem esse drama dentro de si. Mas nos fará bem nos questionar: (...) Penso que Jesus é o Mestre que ensina a salvação, ou vou procurar um guru que me ensine outra? Um caminho mais seguro, ou refugio-me debaixo do teto das prescrições e dos muitos mandamentos feitos por homens? Assim sinto-me seguro e, com essa — é um pouco duro dizer isso — segurança, compro a minha salvação, que Jesus dá gratuitamente com a gratuidade de Deus? Hoje nos fará bem refletirmos sobre essas perguntas. E a última: eu resisto à salvação de Jesus?. (Homilia na Capela da Casa Santa Marta, 3 de outubro de 2014)

  • Evangelho e palavra do dia 15 setembro 2026

    Leitura da Carta aos Hebreus

    5,7-9

    Cristo, nos dias de sua vida terrestre,
    dirigiu preces e súplicas,
    com forte clamor e lágrimas,
    àquele que era capaz de salvá-lo da morte.
    E foi atendido, por causa de sua entrega a Deus.

    Mesmo sendo Filho,
    aprendeu o que significa a obediência a Deus
    por aquilo que ele sofreu.

    Mas, na consumação de sua vida,
    tornou-se causa de salvação eterna
    para todos os que lhe obedecem.

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João

    19,25-27

    Naquele tempo,

    perto da cruz de Jesus, estavam de pé
    a sua mãe, a irmã da sua mãe, Maria de Cléofas,
    e Maria Madalena.

    Jesus, ao ver sua mãe
    e, ao lado dela, o discípulo que ele amava,
    disse à mãe:
    "Mulher, este é o teu filho".

    Depois disse ao discípulo:
    "Esta é a tua mãe".
    Daquela hora em diante,
    o discípulo a acolheu consigo.

    João, o único dos Doze que estava presente no Calvário, viu e testemunhou que, aos pés da cruz, estava a mãe de Jesus, junto às outras mulheres (v. 25). E ouviu com os seus próprios ouvidos as últimas palavras do Mestre, entre as quais estas: «Mulher, eis o teu filho!», e depois, dirigidas a ele: «Eis a tua mãe!» (v. 26-27). A maternidade de Maria, através do mistério da Cruz, deu um salto impensável: a mãe de Jesus tornou-se a nova Eva, porque o Filho a associou à sua morte redentora, fonte de vida nova e eterna para cada homem que vem a este mundo. (…) A fecundidade da Igreja é a mesma fecundidade de Maria; e realiza-se na existência dos seus membros na medida em que eles revivem, em menor dimensão, o que a Mãe viveu, isto é, amam segundo o amor de Jesus. Toda a fecundidade da Igreja (...) depende da Cruz de Cristo. Caso contrário, é só aparência, se não pior. Um grande teólogo contemporâneo escreveu: “Se a Igreja é a árvore que cresceu do pequeno grão de mostarda da cruz, esta árvore está destinada a produzir por sua vez grãos de mostarda, e portanto frutos que repetem a forma da cruz, porque é precisamente à cruz que estes grãos devem a sua existência” (H.U. von Balthasar, Cordula ovverosia il caso serio, Queriniana:Brescia, 1969, pp. 45-46). (Papa Leão XIV, Homilia de 9 de junho de 2025)

  • Evangelho e palavra do dia 14 setembro 2026

    Leitura do Livro dos Números

    21,4b-9

    Naqueles dias,

    os filhos de Israel partiram do monte Hor,
    pelo caminho que leva ao mar Vermelho,
    para contornarem o país de Edom.
    Durante a viagem o povo começou a impacientar-se,

    e se pôs a falar contra Deus e contra Moisés, 

    dizendo:
    "Por que nos fizestes sair do Egito
    para morrermos no deserto?
    Não há pão, falta água,
    e já estamos com nojo desse alimento miserável".

    Então o Senhor mandou contra o povo
    serpentes venenosas,
    que os mordiam;
    e morreu muita gente em Israel.

    O povo foi ter com Moisés e disse:
    "Pecamos, falando contra o Senhor e contra ti.
    Roga ao Senhor que afaste de nós as serpentes".
    Moisés intercedeu pelo povo,

    e o Senhor respondeu:

    "Faze uma serpente de bronze
    e coloca-a como sinal sobre uma haste;
    aquele que for mordido e olhar para ela, viverá".

    Moisés fez, pois, uma serpente de bronze
    e colocou-a como sinal sobre uma haste.
    Quando alguém era mordido por uma serpente,
    e olhava para a serpente de bronze,
    ficava curado.

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João

    3,13-17

    Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos:

    "Ninguém subiu ao céu,
    a não ser aquele que desceu do céu,
    o Filho do Homem.

    Do mesmo modo
    como Moisés levantou a serpente no deserto,
    assim é necessário
    que o Filho do Homem seja levantado,

    para que todos os que nele crerem
    tenham a vida eterna.

    Pois Deus amou tanto o mundo,
    que deu o seu Filho unigênito,
    para que não morra todo o que nele crer,
    mas tenha a vida eterna.

    De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo
    para condenar o mundo,
    mas para que o mundo seja salvo por ele".

    “Assim como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja elevado, a fim de que todo o que nele crê tenha a vida eterna” (Jo 3, 14-15). A referência é ao episódio em que, durante o êxodo do Egito, os judeus foram atacados por serpentes venenosos, e muitos morreram; então, Deus ordenou que Moisés fizesse uma serpente de bronze e que a pusesse sobre um poste: se alguém fosse mordido pelas serpentes, olhando para a serpente de bronze, ficava curado (cf. Nm 21, 4-9). Também Jesus será elevado sobre a Cruz, para que quem quer que esteja em perigo de morte por causa do pecado, dirigindo-se com fé a Ele, que morreu por nós, seja salvo. «Com efeito, Deus – escreve são João – não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele» (Jo 3, 17). (...) Portanto, se é infinito o amor misericordioso de Deus, que chegou a ponto de dar o seu único Filho em resgate pela nossa vida, grande é inclusive a nossa responsabilidade: com efeito, cada um deve reconhecer que está enfermo, para poder ser curado; cada um deve confessar o próprio pecado, para que o perdão de Deus, já conferido na Cruz, possa ter efeito no seu coração e na sua vida. (...) Às vezes o homem gosta mais das trevas do que da luz, porque está apegados aos seus pecados. Mas só abrindo-se à luz, só confessando sinceramente as suas culpas a Deus, encontrará a paz verdadeira, a alegria autêntica. (Papa Bento XVI, Angelus de 18 de março de 2012)

  • Evangelho e palavra do dia 13 setembro 2026

    Primeira Leitura

    Leitura do Livro do Eclesiástico

    27,33-28,9

    O rancor e a raiva são coisas detestáveis;
    até o pecador procura dominá-las.

    Quem se vingar encontrará a vingança do Senhor,
    que pedirá severas contas dos seus pecados.

    Perdoa a injustiça cometida por teu próximo:
    assim, quando orares, teus pecados serão perdoados.

    Se alguém guarda raiva contra o outro,
    como poderá pedir a Deus a cura?

    Se não tem compaixão do seu semelhante,
    como poderá pedir perdão dos seus pecados?

    Se ele, que é um mortal, guarda rancor,
    quem é que vai alcançar perdão para os seus pecados?

    Lembra-te do teu fim e deixa de odiar;

    pensa na destruição e na morte,
    e persevera nos mandamentos.

    Pensa nos mandamentos,
    e não guardes rancor ao teu próximo.

    Pensa na aliança do Altíssimo,
    e não leves em conta a falta alheia!

     

    Segunda Leitura

    Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos

    14,7-9

    Irmãos:

    Ninguém dentre nós vive para si mesmo
    ou morre para si mesmo.

    Se estamos vivos, é para o Senhor que vivemos;
    se morremos, é para o Senhor que morremos.
    Portanto, vivos ou mortos, pertencemos ao Senhor.

    Cristo morreu e ressuscitou exatamente para isto:
    para ser o Senhor dos mortos e dos vivos.

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus

    18,21-35

     

    Naquele tempo,

    Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou:

    "Senhor, quantas vezes devo perdoar,
    se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?"

    Jesus respondeu:

    "Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.

    Porque o Reino dos Céus é como um rei
    que resolveu acertar as contas com seus empregados.

    Quando começou o acerto,
    levaram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna.

    Como o empregado não tivesse com que pagar,
    o patrão mandou que fosse vendido como escravo,
    junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía,
    para que pagasse a dívida.

    O empregado, porém, caíu aos pés do patrão
    e, prostrado, suplicava:
    'Dá-me um prazo! e eu te pagarei tudo!'

    Diante disso, o patrão teve compaixão,
    soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida.

    Ao sair dali,
    aquele empregado encontrou um dos seus companheiros
    que lhe devia apenas cem moedas.
    Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo:
    'Paga o que me deves'.

    O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava:
    'Dá-me um prazo, e eu te pagarei!'

    Mas o empregado não quis saber disso.
    Saiu e mandou jogá-lo na prisão,
    até que pagasse o que devia.

    Vendo o que havia acontecido,
    os outros empregados ficaram muito tristes,
    procuraram o patrão e lhe contaram tudo.

    Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse:
    'Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida,
    porque tu me suplicaste.

    Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro,
    como eu tive compaixão de ti?'

    O patrão indignou-se
    e mandou entregar aquele empregado aos torturadores,
    até que pagasse toda a sua dívida.

    É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco,
    se cada um não perdoar de coração ao seu irmão".
    Palavra da Salvação.

    Na parábola, encontramos duas atitudes diferentes: a de Deus - representado pelo rei - que perdoa muito, porque Deus perdoa sempre, e a do homem. Na atitude divina, a justiça está impregnada de misericórdia, enquanto que a atitude humana se limita à justiça. Jesus exorta-nos a abrir-nos corajosamente à força do perdão, porque na vida, sabemos que nem tudo é resolvido pela justiça. Precisamos desse amor misericordioso, que é também a base da resposta do Senhor à pergunta de Pedro que precede a parábola. (...)  A parábola de hoje ajuda-nos a compreender plenamente o significado da frase que recitamos na oração do Pai-Nosso: “Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido” (Mt 6, 12). Estas palavras contêm uma verdade decisiva. Não podemos pretender para nós o perdão de Deus, se, por nossa vez, não concedemos o perdão ao nosso próximo. É uma condição: pensa no fim, no perdão de Deus, e deixa de odiar; afasta o rancor, aquela mosca irritante que volta sempre. Se não nos esforçarmos por perdoar e amar, também não seremos perdoados nem amados. Confiemo-nos à intercessão materna da Mãe de Deus: que ela nos ajude a darmo-nos conta de quanto devemos a Deus, e a recordá-lo sempre, para que possamos ter o nosso coração aberto à misericórdia e à bondade. (Papa Francisco, Angelus de 13 de setembro de 2020)

  • Evangelho e palavra do dia 12 setembro 2026

    Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios

    10,14-22

    Meus caríssimos, fugi da idolatria.

    Eu vos falo como a pessoas esclarecidas.
    Então, ponderai bem o que eu digo:

    O cálice da bênção, o cálice que abençoamos,
    não é comunhão com o sangue de Cristo?
    E o pão que partimos,
    não é comunhão com o corpo de Cristo?

    Porque há um só pão,
    nós todos somos um só corpo,
    pois todos participamos desse único pão.

    Considerai os filhos de Israel:
    Os que comem as vítimas sacrificais
    não estão em comunhão com o altar?

    Então, o que dizer?
    Que a carne de um sacrifício idolátrico 

    tem algum valor?
    Ou que o ídolo vale alguma coisa?

    - Nada disso.
    O que eu digo é que os idólatras
    oferecem seus sacrifícios aos demônios 

    e não a Deus.
    Ora, eu não quero 

    que entreis em comunhão com os demônios.

    Vós não podeis beber do cálice do Senhor
    e do cálice dos demônios;
    vós não podeis participar da mesa do Senhor
    e da mesa dos demônios.

    Ou, quem sabe, 

    queremos excitar o zelo santo do Senhor?
    Somos porventura mais fortes do que ele?

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas

    6,43-49

    Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:

    "Não existe árvore boa que dê frutos ruins,
    nem árvore ruim que dê frutos bons.

    Toda árvore é reconhecida pelos seus frutos.
    Não se colhem figos de espinheiros,
    nem uvas de plantas espinhosas.

    O homem bom tira coisas boas
    do bom tesouro do seu coração.
    Mas o homem mau tira coisas más 

    do seu mau tesouro,
    pois sua boca fala do que o coração está cheio.

    Por que me chamais: 

    'Senhor! Senhor!',
    mas não fazeis o que eu digo?

    Vou mostrar-vos com quem se parece
    todo aquele que vem a mim, 

    ouve as minhas palavras
    e as põe em prática.

    É semelhante a um homem que construiu uma casa:
    cavou fundo e colocou o alicerce sobre a rocha.
    Veio a enchente, a torrente deu contra a casa,
    mas não conseguiu derrubá-la, 

    porque estava bem construída.

    Aquele, porém, que ouve e não põe em prática,
    é semelhante a um homem que construiu uma casa no chão,
    sem alicerce.
    A torrente deu contra a casa,
    e ela imediatamente desabou;
    e foi grande a ruína dessa casa".

    A rocha. Assim é o Senhor. Quem confia no Senhor estará sempre seguro, porque seus alicerces estão na rocha. É o que Jesus diz no Evangelho. Ele fala de um homem sábio que construiu sua casa sobre uma rocha, ou seja, sobre a confiança no Senhor, sobre as coisas sérias. E essa confiança também é um material nobre, porque o fundamento desta construção de nossa vida é seguro, é forte. E nossa vida também pode ser assim quando nossos alicerces não são fortes. A tempestade chega — e todos nós temos tempestades na vida, todos, do Papa ao último, todos — e não somos capazes de resistir. Muitos dizem: Não, eu vou mudar de vida. E pensam que mudar de vida é se maquiar. Mudar de vida é ir e mudar os alicerces da vida, ou seja, colocar a rocha ali que é Jesus. Eu gostaria de restaurar esta construção, este palácio, porque é muito feio, muito feio e eu gostaria de embelezá-lo um pouco e também garantir os alicerces. Mas se eu refizer a maquiagem e fizer uma enganadora , a coisa não vai para frente; vai cair. Com as aparências, a vida cristã cai. Nós não podemos edificar nossa vida sobre as coisas passageiras, sobre as aparências, sobre fingir que está tudo bem. Vamos à rocha, onde está nossa salvação. E ali seremos todos felizes. Todos. (Papa Francisco, Homilia na Capela da Casa Santa Marta, 5 de dezembro de 2019)

  • Evangelho e palavra do dia 11 setembro 2026

    Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios

    9,16-19.22b-27

    Irmãos,

    pregar o evangelho não é para mim motivo de glória.
    É antes uma necessidade para mim, uma imposição.
    Ai de mim se eu não pregar o evangelho!

    Se eu exercesse minha função de pregador
    por iniciativa própria,
    eu teria direito a salário.
    Mas, como a iniciativa não é minha,
    trata-se de um encargo que me foi confiado.

    Em que consiste então o meu salário?
    Em pregar o evangelho, oferecendo-o de graça,
    sem usar os direitos que o evangelho me dá.

    Assim, livre em relação a todos,
    eu me tornei escravo de todos,
    a fim de ganhar o maior número possível.

    Com todos, eu me fiz tudo,
    para certamente salvar alguns.

    Por causa do evangelho eu faço tudo,
    para ter parte nele.

    Acaso não sabeis que os que correm no estádio

    correm todos juntos, mas um só ganha o prêmio?
    Correi de tal maneira que conquisteis o prêmio.

    Todo atleta se sujeita
    a uma disciplina rigorosa em relação a tudo,
    e eles procedem assim,
    para receberem uma coroa corruptível.
    Quanto a nós, 

    a coroa que buscamos é incorruptível!

    Por isso, eu corro, mas não à toa.
    Eu luto, mas não como quem dá murros no ar.

    Trato duramente o meu corpo e o subjugo,
    para não acontecer que,
    depois de ter proclamado a boa-nova aos outros,
    eu mesmo seja reprovado.

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas

    6,39-42

    Naquele tempo,

    Jesus contou uma parábola aos discípulos:
    "Pode um cego guiar outro cego?
    Não cairão os dois num buraco?

    Um discípulo não é maior do que o mestre;
    todo discípulo bem formado será como o mestre.

    Por que vês tu o cisco no olho do teu irmão,
    e não percebes a trave 

    que há no teu próprio olho?

    Como podes dizer a teu irmão:
    Irmão, deixa-me tirar o cisco do teu olho,
    quando tu não vês a trave no teu próprio olho?
    Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho,
    e então poderás enxergar bem
    para tirar o cisco do olho do teu irmão".

    O Evangelho de Lucas nos reapresentou a pergunta de Jesus: “Pode acaso um cego guiar outro cego?” (Lc 6, 39). O Senhor quer dizer que um guia não pode ser cego, deve enxergar bem, se não quiser correr o risco de causar dano às pessoas que lhe foram confiadas. Jesus chama assim a atenção de todos aqueles que têm tarefas educativas ou de liderança (…) a sentirem a responsabilidade, a questionarem-se sobre o caminho certo e a percorrerem-no eles mesmos em primeiro lugar. (...) No trecho de hoje encontramos outra frase muito significativa, a que exorta a não sermos presunçosos e hipócritas. “Por que olhas o cisco no olho de teu irmão e não percebes a trave que há no teu?” (Lc 6, 41). Como é fácil notar os defeitos e os pecados alheios e não ver os próprios! E como podemos perceber se o nosso olho está livre ou se está impedido por uma trave? A verificação vem das nossas ações. É ainda Jesus quem nos diz: “Uma árvore é conhecida por seu próprio fruto” (Lc 6, 44). O fruto são as ações, mas também as palavras. (…) De fato, quem é bom tira o bem do seu coração e da sua boca, e quem é mau tira o mal. (…) Senti-vos responsáveis e orgulhosos de oferecer um testemunho cristão capaz de renovar interior e exteriormente a sociedade. (Papa João Paulo II, Homilia de 1º de março de 1992)

  • Evangelho e palavra do dia 10 setembro 2026

    Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios

    8,1b-7.11-13

    Irmãos,

    o conhecimento incha, 

    a caridade é que constrói.

    Se alguém acha que conhece bem alguma coisa,
    ainda não sabe como deveria saber.

    Mas se alguém ama a Deus,
    ele é conhecido por Deus!

    Quanto ao comer as carnes 

    de animais sacrificados aos ídolos,
    nós sabemos que um ídolo não é nada no mundo,
    e que Deus é um só.

    É verdade que alguns são chamados deuses,
    no céu ou na terra,
    e muita gente pensa que existem muitos deuses 

    e muitos senhores.

    Para nós, porém, existe um só Deus, o Pai,
    de quem vêm todos os seres

    e para quem nós existimos.
    E, ainda, para nós, 

    existe um só Senhor, Jesus Cristo,
    pelo qual tudo existe,
    e nós também existimos por ele.

    Mas nem todos têm esse conhecimento.
    De fato, alguns habituados, até ao presente,
    ao culto dos ídolos,
    comem da carne dos sacrifícios,
    como se ela fosse mesmo oferecida aos ídolos.
    E assim, a sua consciência, que é fraca, 

    fica manchada.

    E então, por causa do teu conhecimento, 

    perece o fraco,
    o irmão pelo qual Cristo morreu.

    Pecando, assim, contra os irmãos
    e ferindo a consciência deles, que é fraca,
    é contra Cristo que pecais.

    Por isso, se um alimento 

    é ocasião de queda para meu irmão,
    nunca mais comerei carne,
    para não escandalizar meu irmão.

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas

    6,27-38

    Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:

    "A vós que me escutais, eu digo:
    Amai os vossos inimigos
    e fazei o bem aos que vos odeiam,

    bendizei os que vos amaldiçoam,
    e rezai por aqueles que vos caluniam.

    Se alguém te der uma bofetada numa face,

    oferece também a outra.
    Se alguém te tomar o manto,
    deixa-o levar também a túnica.

    Dá a quem te pedir
    e, se alguém tirar o que é teu,
    não peças que o devolva.

    O que vós desejais que os outros vos façam,

    fazei-o também vós a eles.

    Se amais somente aqueles que vos amam,
    que recompensa tereis?
    Até os pecadores amam aqueles que os amam.

    E se fazeis o bem somente aos que vos fazem o bem,
    que recompensa tereis?
    Até os pecadores fazem assim.

    E se emprestais somente àqueles de quem esperais receber,
    que recompensa tereis?
    Até os pecadores emprestam aos pecadores,
    para receber de volta a mesma quantia.

    Ao contrário, amai os vossos inimigos,
    fazei o bem e emprestai
    sem esperar coisa alguma em troca.
    Então, a vossa recompensa será grande,
    e sereis filhos do Altíssimo,
    porque Deus é bondoso 

    também para com os ingratos e os maus.

    Sede misericordiosos,
    como também o vosso Pai é misericordioso.

    Não julgueis e não sereis julgados;
    não condeneis e não sereis condenados;
    perdoai, e sereis perdoados.

    Dai e vos será dado.

    Uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante
    será colocada no vosso colo;
    porque com a mesma medida com que medirdes os outros,
    vós também sereis medidos".

    É possível que uma pessoa consiga amar os próprios inimigos? Se dependesse apenas de nós, seria impossível. Mas lembremo-nos que quando o Senhor pede algo, Ele quer oferecê-lo. O Senhor nunca nos pede algo que não nos dê primeiro. Quando Ele me diz para amar os inimigos, quer dar-me a capacidade de o fazer. Sem esta capacidade não conseguiríamos, mas Ele diz-nos “amai o inimigo” e dá-nos a capacidade de amar. Santo Agostinho rezava assim – escutai que bela oração – Senhor, “dai-me o que me pedis e pedi-me o que quereis”, porque mo destes primeiro. O que lhe podemos pedir? O que apraz a Deus oferecer-nos? A força de amar, que não é algo, mas é o Espírito Santo. A força de amar é o Espírito Santo, e com o Espírito de Jesus podemos responder ao mal com o bem, podemos amar quem nos fere.(...) E quanto a nós, procuramos viver as exortações de Jesus? Pensemos numa pessoa que nos feriu. (...) E depois peçamos ao Espírito Santo que aja no nosso coração. Por fim, oremos por aquela pessoa: oremos por aqueles que nos feriram. Quando alguém nos faz algum mal, vamos imediatamente contar aos outros e sentimo-nos vítimas. Paremos e oremos ao Senhor por aquela pessoa, para que Ele a ajude, e então este sentimento de rancor será dissipado. Rezar por quem nos feriu é o primeiro passo para transformar o mal em bem. (Papa Francisco, Angelus de 20 de fevereiro de 2022)


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